Home Data de criação : 07/03/17 Última atualização : 08/11/19 16:40 / 329 Artigos publicados
 

Re-Citações

TCHORT IVO ZNAIET  (Re-Citações) escrito em sexta 15 agosto 2008 19:11

 

LARA'S THEME by Maurice Jarre

 

“Você gostaria de voltar para a Rússia, vovô? Para visitar?”

“Já não existe, propadi [desapareceu].”

“O que não existe?”

“O quê, o quê, a Rússia já não existe! A Rússia morreu! Agora existe Stalin. Dazrajinsky. Yijuv. Béria. É uma imensa prisão lá. Gulag! Yessekim! Aparatnikim! Assassinos!”

“Mas de Odessa você ainda gosta um pouco?”

“Gosta, não gosta, o que importa, agora? Tchort ivo znaiet, o diabo sabe.”

“Você não gostaria de voltar a vê-la?”

“Chega, agora, menino, chega. Tshtob ti propal. Chega.”

(OZ, Amós. De Amor e Trevas. Tradução Milton Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.)

 

 

Leitura recomendada

Pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, é inverno de 2008.

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WALTER BENJAMIN: el pensador vagabundo  (Re-Citações) escrito em quinta 10 julho 2008 01:58

 

 

From: parterei - extracto del programa de televisión

 

 

Vídeo recomendado

pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

Campinas, é inverno de 2008.

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OS ANÉIS DE SATURNO  (Re-Citações) escrito em sábado 21 junho 2008 00:55

 

LA CALIFFA

Música de ENNIO MORRICONE, interpretada por SARAH BRIGHTMAN.

 

Tu não acredites, porque (Tu non credere perché)

esta crueldade dos proprietários (Questa crudeltá di padroni)

viu em mim (Ha visto in me)

apenas uma cadela que (Solo una cagna che)

amarra-se a sua corrente. (Me mett'anch/ Lo alla tua catena)

 

Se atravesso a cidade (Se attraverso la cittá)

esta hipócrita, tua cidade (Questa ipocrita, tua cittá)

meu corpo,(Il corpo mio)

que passa por entre todos vocês, (Che passa tra di voi)

é uma afronta à covardia. (`Eun invettiva contra la viltà)

 

Você achará em mim (Tu ritroverai con me)

a mais esplêndida propriedade, (La più esplendida proprietá)

um momento de sol sobre nós (Un attimo di sole sopra noi)

à sua procura. (Alla ricerca di te)

 

 

     “Saindo de Amsterdã, folheando o livro Tristes Trópicos, deparei com uma descrição dos Campos Elísios, uma rua de São Paulo em que, segundo lembranças de Lévi-Strauss de seus tempos no Brasil, decaíam lentamente mansões de madeira e palácios de tábuas outrora construídos pelos ricos numa espécie de fantasioso estilo suíço no meio de jardins fechados com eucaliptos e mangueiras.

     Talvez por isso naquela manhã o aeroporto onde perpassava um rosnado manso me parecera a ante-sala de um país desconhecido do qual nenhum viajante jamais retorna...”

     “Se hoje sobrevoamos a Amazônia ou Bornéu de avião vendo as gigantescas montanhas de fumaça aparentemente imóveis sobre o telhado da mata virgem que parece um suave chão de musgo, temos uma boa idéia dos possíveis efeitos dessas queimadas que por vezes duram meses a fio. O que o fogo poupou na pré-história na Europa, mais tarde foi abatido para construir casas e navios, bem como para fundir ferro, o que consumia imensas quantidades de carvão de madeira.

     Já no século XVII em toda a ilha [Inglaterra] havia apenas restos insignificantes das antigas florestas, agora geralmente entregues à decomposição. Agora acendem-se grandes fogueiras do outro lado do oceano. Não é por nada que a terra do Brasil, quase imensurável, deve seu nome à palavra francesa para carvão de madeira. (...) As máquinas que inventamos têm, como nossos corpos e nossas nostalgias, um coração que se consome lentamente em fogo. Toda a civilização humana nada foi desde o começo senão um fagulhar cada vez mais intenso que ninguém sabe quanto vai aumentar, e quando aos poucos morrerá. Por enquanto nossas cidades ainda se iluminam, os fogos ainda crescem. As florestas ardem no verão na Itália, França e Espanha, na Hungria, Polônia e Lituânia, no Canadá e na Califórnia, sem falar das imensas fogueiras dos trópicos, que não se apagam nunca.”

 

As citações acima foram colhidas do belo livro de W.G. Sebald, intitulado OS ANÉIS DE SATURNO. Tradução Lya Luft. Editora Record: RJ e SP, 2002.

 

Leituras de vídeo e texto

recomendados pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, é inverno de 2008.

 

 

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PIE JESU  (Re-Citações) escrito em quinta 29 maio 2008 00:22

 

PIE JESU

 

Canção interpretada por Sarah Brightman e Paul Miles Kingston

 

"Os céus contam a glória de Deus,

e o firmamento proclama a obra de suas mãos.

O dia entrega a mensagem a outro dia,

e a noite a faz conhecer a outra noite."

(SALMO 19,18)

 

 

Leitura (Salmos) e vídeo recomendados pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros

Campinas, é outono de 2008.

 

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NORBERTO BOBBIO  (Re-Citações) escrito em quarta 07 maio 2008 23:37

 

Foto do filósofo italiano Noberto Bobbio

 

 

 

“E o passado revive na memória. O grande patrimônio do velho está no mundo maravilhoso da memória, fonte inesgotável de reflexões sobre nós mesmos, sobre o universo em que vivemos, sobre as pessoas e os acontecimentos que, ao longo do caminho, atraíram nossa atenção. Maravilhoso, este mundo, pela quantidade e variedade inimaginável e incalculável de coisas que traz dentro de si; imagens de vultos há muito tempo desaparecidos, lugares visitados em anos distantes e jamais revistos, personagens de romances lidos quando éramos adolescentes, fragmentos de poesias que aprendemos de cor na escola e nunca mais esquecemos; e quantas cenas de filmes e de peças de teatro, e quantos vultos de atores e atrizes esquecidos sabe-se lá há quanto tempo, mas sempre prontos a reaparecer no momento em que vem o desejo de revê-los, e quando os revemos experimentamos a mesma emoção da primeira vez; e quantas melodias de canções, árias de óperas, trechos de sonatas e de concertos voltamos a cantarolar sozinhos.”

 

 

BOBBIO, Norberto. “Diário de um século: Autobiografia”. Tradução Daniela Beccacia Versiani. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

 

 

Leitura recomendada pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, é outono de 2008.

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