Home Data de criação : 07/03/17 Última atualização : 08/11/19 16:40 / 329 Artigos publicados
 

Poética de Sílvio Medeiros

AS YOU LIKE IT  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quinta 18 setembro 2008 22:47

Shakespeare in Love

 

 

 

AS YOU LIKE IT



                                                              À bela ROSANA MERCADANTE,
                                               proprietária do “Abrigo Piccolina”:
                                                
http://www.abrigopiccolina.org.br


As you like it,
Rosamonde,
Rosarita marinha,
Orvalho do marítimo
Ritmo das ondas…
As you like it,
Roxana,
Lua indiana,
Boca de rubi,
Conta de oração,
Sonho de uma noite de verão.
As you like it,
Rosana,
Rosa e graça,
Roseira-lança escudeiro
Do peregrino de Roma.
Rosana cavaleira,
Amazona,
Rosalinda shakesperiana –
Entre as oliveiras,
Eis a deusa agreste,
Brada o bardo!
As you like it,
Amor e trama:
“Homens e mulheres não passam de atores no palco do mundo”.
Rosana,
Lua de Urano,
Coroada de cristais,
Protetora dos animais,
Assim... “Como gostais”,
Ana romana,
Rosa Ana.



Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 18/09/2008
Código do texto: T1184780

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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ÉDIPO E JOCASTA  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quarta 03 setembro 2008 04:33

Mozart - Requiem - Lacrimosa

ÉDIPO E JOCASTA


À noite ele caminha pela casa.
O vento uiva lá fora.
Na meia obscuridade ele caminha entre os móveis,
Pássaro sem asa,
Atravessa o corredor e contempla as fotos,
O passado.
Ele está grávido de antepassados.
Ele entra no quarto iluminado pela tela do computador.
Na escuridão incompleta, ele busca a máquina de costura Alfa
Tornada altar: fotos dos avós, outras da mãe, o terço, e, debaixo dos óculos, a crônica de Rubem Alves:
“Vossos filhos são pássaros...” ‘sei o seu sofrimento. É o sofrimento de ver os filhos voarem e, no seu vôo, se esquecerem de nós...’
Era o desejo da mãe, ela pedia para ser lembrada com a leitura dessas letras.
Ao lado, uma máquina de moer carne, em desuso, toda envernizada.
Ganhei esta máquina de presente de casamento, ela é importada, da Suécia!
Chega de beliscar, menino! isto está cru, deixa eu preparar a massa do ‘nhoque’ em paz, desse jeito não rende!
Abro as gavetinhas da máquina de costura. Desde então, tudo intocado: agulhas, carretéis, dedais...
O grito da criança na madrugada:
Mãe, mãe, tenho dor de ouvido!
Olvido, olvido...
Casa movimentada, as freguesas, a mãe desenhando os moldes, alinhavando os tecidos, os vestidos, os acontecidos...
52 anos se passaram, passaredo, passarinho azul anuncia a aurora.
Vagar pela casa cortando a zona de transição entre as sombras e as luzes, passagens, sombras e luminosidades, e a casa à deriva das transformações, de estranhas metamorfoses. A casa, pouco a pouco, se reconfigura.
Uma semana antes da dor fatal, a mãe segue o filho até o portão.
Volta pra casa, filho!
Está tudo bem, mãe. Fique tranqüila e procure descansar.
A mãe se despede, então, com apenas um olhar.
1963, Mãe, é quase Natal! Eu quero um Autorama e um Posto Esso.
1965, A vitrola é presente do pai; o bolero, a mãe abraçada ao filho,
É simples, me segue, assim... são dois pra lá, dois pra cá. Agora uma valsa!
Mãe e filho bailando,
Édipo e Jocasta,
É ele voltando para o útero da mãe.
Amanhece.
O perfume da murta acaricia as narinas dele.
Sobre a mesa empoeirada do jardim, a verbena de coloração viva resplandece.
No jardim dos sonhos dele, a mãe mais uma vez se despede.
Um pássaro azul alça vôo.
Agora tudo é só, tudo é silêncio, tudo é pó.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 02/09/2008
Código do texto: T1158979

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primavera  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quinta 28 agosto 2008 01:57

Lascia ch'io Pianga

por Sarah Brightman

primavera

no perfume da noite
a primavera
florescente








Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 27/08/2008
Código do texto: T1149260

 

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CHALÁ, CHALÁ!  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quarta 27 agosto 2008 06:25

CATEDRAL - Zélia Duncan

CHALÁ, CHALÁ!


                                                       À inesquecível aluna e eterna amiga
                                                                                     ELIANA GALVANI.



Eliana,
És filha de Elias:
“meu Deus é Javé”!
És fonte de alegrias,
Tu crias Arte
Com idéias de justiça e de igualdade.
Neste teu duplo hebraico,
Eliana,
Anna dos meus dias,
De aluna,
Fostes graça!
Anna educadora,
És clemência, pois sempre ditas:
_ Um sim à benevolência,
Um não à violência!
Refletindo as angústias do teu povo,
Douras as palavras na política,
Distribuindo alimento aos famintos e
Oferecendo amparo aos desamparados.
Chalá, Chalá!
Por amor a Sião,
Preparas o pão consumido no Shabat.
És filha da Israel celestial,
Da boa ação,
Das orações,
Do bom coração,
Dos Cem Portões das Sinagogas,
Dos Templos,
Do tempo da mais bela Catedral.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros.
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 27/08/2008
Código do texto: T1147890

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CURANDEIRA DAS LETRAS  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em sábado 23 agosto 2008 20:00

ISADORA DUNCAN

freespirited dance pioneer

CURANDEIRA DAS LETRAS




                                                 À notável poetisa lisboeta
                                                              LUÍZA CAETANO.
                                     http://vozdeagua.arteblog.com.br

O grito português se fez,
A lisboeta poeta
E o som inexprimível
Do lido mas não ouvido,
Do fado inefável
Sobre o oceano Caetano:
Mar calado, assustado, silencioso.
Eu sul,
Ela norte,
Eu logos,
Ela escritura.
Luíza sereia,
Luíza Eva:
_ Me diz, me diz, o quê você afinal ouviu nos jardins do Éden?
_ Nem às paredes confesso!
Luíza das coreoGráficas ondas atlânticas,
Que me laçam nas areias,
Que me lançam nas sonhadoras ondas gramaticais,
E as dramáticas beijam meus pés,
Estância do Norte,
Porto de Estrofes!
E no abismo de distâncias,
A distinção da Dona Escritura, triunfante,
E eu, pobre infante,
Rodopio nas espumas dançantes,
Desabo na différance,
Dance dance dance Luíza inconquistada,
Disseminadora do mais além, do sem-fim...
Curandeira das Letras!
Vertigem na minha orientação garantidora.
Nauinaudita!
Pandora inquieta, irresoluta,
Da linguagem enfim.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 23/08/2008
Código do texto: T1142322

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