Home Data de criação : 07/03/17 Última atualização : 08/09/29 18:55 / 317 Artigos publicados
 

Poética de Sílvio Medeiros

LUA  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em segunda 29 setembro 2008 18:55

SAMPA (Caetano Veloso)

LUA


Paulistas e paulistanas são Anas a mercê dos deuses,
Paulistas são passantes,
Dríades, ninfas, sereias caminhando sob a fria garoa,
Em solos de civilidade e de barbárie, pura modernidade.
Elas são filhas das
“Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi...”*
Mulheres hospitaleiras, filhas de Abaporu,
Ferozes jaguapitangas do Ipiranga,
Iemanjás adornadas com o reflexo de Oxu.



*Trecho extraído de “Sampa” (Caetano Veloso)




Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é primavera de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 29/09/2008
Código do texto: T1202506

Creative Commons License-->
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
/Creative Commons License--> LUA2008Recanto das LetrasSÍLVIO MEDEIROSSÍLVIO MEDEIROStext/plain -->
permalink

AS YOU LIKE IT  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quinta 18 setembro 2008 22:47

Shakespeare in Love

 

 

 

AS YOU LIKE IT



                                                              À bela ROSANA MERCADANTE,
                                               proprietária do “Abrigo Piccolina”:
                                                
http://www.abrigopiccolina.org.br


As you like it,
Rosamonde,
Rosarita marinha,
Orvalho do marítimo
Ritmo das ondas…
As you like it,
Roxana,
Lua indiana,
Boca de rubi,
Conta de oração,
Sonho de uma noite de verão.
As you like it,
Rosana,
Rosa e graça,
Roseira-lança escudeiro
Do peregrino de Roma.
Rosana cavaleira,
Amazona,
Rosalinda shakesperiana –
Entre as oliveiras,
Eis a deusa agreste,
Brada o bardo!
As you like it,
Amor e trama:
“Homens e mulheres não passam de atores no palco do mundo”.
Rosana,
Lua de Urano,
Coroada de cristais,
Protetora dos animais,
Assim... “Como gostais”,
Ana romana,
Rosa Ana.



Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 18/09/2008
Código do texto: T1184780

Creative Commons License-->
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
/Creative Commons License--> AS YOU LIKE IT2008Recanto das LetrasSÍLVIO MEDEIROSSÍLVIO MEDEIROStext/plain -->
permalink

ÉDIPO E JOCASTA  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quarta 03 setembro 2008 04:33

Mozart - Requiem - Lacrimosa

ÉDIPO E JOCASTA


À noite ele caminha pela casa.
O vento uiva lá fora.
Na meia obscuridade ele caminha entre os móveis,
Pássaro sem asa,
Atravessa o corredor e contempla as fotos,
O passado.
Ele está grávido de antepassados.
Ele entra no quarto iluminado pela tela do computador.
Na escuridão incompleta, ele busca a máquina de costura Alfa
Tornada altar: fotos dos avós, outras da mãe, o terço, e, debaixo dos óculos, a crônica de Rubem Alves:
“Vossos filhos são pássaros...” ‘sei o seu sofrimento. É o sofrimento de ver os filhos voarem e, no seu vôo, se esquecerem de nós...’
Era o desejo da mãe, ela pedia para ser lembrada com a leitura dessas letras.
Ao lado, uma máquina de moer carne, em desuso, toda envernizada.
Ganhei esta máquina de presente de casamento, ela é importada, da Suécia!
Chega de beliscar, menino! isto está cru, deixa eu preparar a massa do ‘nhoque’ em paz, desse jeito não rende!
Abro as gavetinhas da máquina de costura. Desde então, tudo intocado: agulhas, carretéis, dedais...
O grito da criança na madrugada:
Mãe, mãe, tenho dor de ouvido!
Olvido, olvido...
Casa movimentada, as freguesas, a mãe desenhando os moldes, alinhavando os tecidos, os vestidos, os acontecidos...
52 anos se passaram, passaredo, passarinho azul anuncia a aurora.
Vagar pela casa cortando a zona de transição entre as sombras e as luzes, passagens, sombras e luminosidades, e a casa à deriva das transformações, de estranhas metamorfoses. A casa, pouco a pouco, se reconfigura.
Uma semana antes da dor fatal, a mãe segue o filho até o portão.
Volta pra casa, filho!
Está tudo bem, mãe. Fique tranqüila e procure descansar.
A mãe se despede, então, com apenas um olhar.
1963, Mãe, é quase Natal! Eu quero um Autorama e um Posto Esso.
1965, A vitrola é presente do pai; o bolero, a mãe abraçada ao filho,
É simples, me segue, assim... são dois pra lá, dois pra cá. Agora uma valsa!
Mãe e filho bailando,
Édipo e Jocasta,
É ele voltando para o útero da mãe.
Amanhece.
O perfume da murta acaricia as narinas dele.
Sobre a mesa empoeirada do jardim, a verbena de coloração viva resplandece.
No jardim dos sonhos dele, a mãe mais uma vez se despede.
Um pássaro azul alça vôo.
Agora tudo é só, tudo é silêncio, tudo é pó.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 02/09/2008
Código do texto: T1158979

Creative Commons License-->
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
/Creative Commons License--> ÉDIPO E JOCASTA2008Recanto das LetrasSÍLVIO MEDEIROSSÍLVIO MEDEIROStext/plain -->
permalink

primavera  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quinta 28 agosto 2008 01:57

Lascia ch'io Pianga

por Sarah Brightman

primavera

no perfume da noite
a primavera
florescente








Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 27/08/2008
Código do texto: T1149260

 

Creative Commons License-->
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
permalink

CHALÁ, CHALÁ!  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quarta 27 agosto 2008 06:25

CATEDRAL - Zélia Duncan

CHALÁ, CHALÁ!


                                                       À inesquecível aluna e eterna amiga
                                                                                     ELIANA GALVANI.



Eliana,
És filha de Elias:
“meu Deus é Javé”!
És fonte de alegrias,
Tu crias Arte
Com idéias de justiça e de igualdade.
Neste teu duplo hebraico,
Eliana,
Anna dos meus dias,
De aluna,
Fostes graça!
Anna educadora,
És clemência, pois sempre ditas:
_ Um sim à benevolência,
Um não à violência!
Refletindo as angústias do teu povo,
Douras as palavras na política,
Distribuindo alimento aos famintos e
Oferecendo amparo aos desamparados.
Chalá, Chalá!
Por amor a Sião,
Preparas o pão consumido no Shabat.
És filha da Israel celestial,
Da boa ação,
Das orações,
Do bom coração,
Dos Cem Portões das Sinagogas,
Dos Templos,
Do tempo da mais bela Catedral.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros.
Campinas, é inverno de 2008.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 27/08/2008
Código do texto: T1147890

Creative Commons License-->
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor (Prof. Dr. Sílvio Medeiros) e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/silviomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
/Creative Commons License--> CHALÁ, CHALÁ!2008Recanto das LetrasSÍLVIO MEDEIROSSÍLVIO MEDEIROStext/plain -->
permalink