Home Data de criação : 07/03/17 Última atualização : 08/11/19 16:40 / 329 Artigos publicados
 

Poesias de Fernando Medeiros

PONTO GEOGRÁFICO  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em sexta 15 agosto 2008 19:24

Grupo Ecos da Poesia

pela artista Analua ZOÉ

www.ecosdapoesia.net

PONTO GEOGRÁFICO

Brasil, país da solidão,
Um não à discórdia,
Mas algo maior me espanta,
Não adianta,
Migalhas de tristeza já foram consumidas.
Brasil, milhões de vidas
E o que restou de mim.
Esquecido entre árvores
Existe algo que ainda canta.
Não adianta,
Milhões de vidas já foram consumidas.
Brasil, país da solidão,
Uma mão para a discórdia,
O beijo falso e inflacionário
Dos altos interesses do capitalismo.
A flor libertária do meu coração
Ainda está viva.
Alguém por aqui canta
Em vão a concórdia de um carnaval.
Brasil, eu quero a proteção de sua Santa.
Um assassinato no Cruzeiro do Sul,
Milhares de presídios,
O orfanato de nossa condição,
Sangue fervendo ao céu azul.
Sem beijo, sem mulher,
Serenatas distantes,
Brasil, agora é solidão.
Fui ingênuo, não cresci,
Mas estou velho.
Todos perdidos e um mendigo canta,
Brasil, tudo o que me espanta.
Um gesto inflacionário,
Um monstro se agiganta.
Estamos adormecidos?


FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 15/08/2008
Código do texto: T1129625

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite o nome do autor Fernando Medeiros e o link para o site www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomedeiros). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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RITO  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em quarta 23 julho 2008 22:32

"Etude pour le rideau du ballet Les Patineurs"

por Fernand Léger

RITO


Rito eu não faço,
Mas no ritmo eu me desfaço.
Aliás, meu rito
É só a realidade do ritmo.
Pois o que busco mais
A não ser ritmos?
Ritmos demais onde quer
Que eu esteja.
O ritmo me beija
Ou apenas o seu sonho me beija?
Rito eu estabeleço,
Mas é no ritmo
Que eu ofereço
O risco da minha escrita,
O pátio da minha desdita.
A fraqueza e aqueles sentimentos de sempre.
Minha lembrança abraçada aos mármores frios.
O que devo fazer senão cultuar o rito do ritmo.
O crivo em minha pele,
O crivo daquelas ofensivas de sempre.
Como assim em discórdia procurarei ritmos?
Interrogações,
Interrogações harmonizadas,
Letras que se fartam de rimas.
Letras que se misturam,
A história da minha vida.
O pleito em meus arquivos,
No pátio dementes esquivos.
Minha lembrança cultuando sabe-se o quê.
Resta meu ritmo, meu fundamento,
Rima no próximo estamento.
Ritmo, personalidade
De vegetação revolta.
Ritmo que pelo meu preço
Eu estabeleço.
Discórdia que nos encobre,
Harmonia, lembrança que nos consome...


FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 23/07/2008
Código do texto: T1094181

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MUNDO TROPICAL  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em quinta 17 julho 2008 17:07

Foto do Rio São Francisco

MUNDO TROPICAL


Aquele campo é bronzeado pelo sol,
E quando as aves migram para aquele arrebol
Vão contentes...
Como seu suspiro aliviasse
A terrível angústia da morte.
Aquele espaço tão verde, tão farto, tão natural,
Mas explorado em suas entranhas pela frieza e crueldade.

Oh, meu rio São Francisco!
Minhas Cataratas do Iguaçu,
Grandiosidade de águas azuis!
Tu tens os carinhos de todos os hinos,
És a pastora do rebanho de latinos...
Ah... matas, montes, montanhas
Perdidas sem marcha e com vida.
Vós sois queimadas, vós sois furtadas...
Onde está a liberdade?
Onde está o nosso sangue?
Está correndo pelos edifícios da América do Norte:
_ Sim, sim... mundo tropical omisso,
Vós sois infeliz como as almas de um triste hospício...


FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.

FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 17/07/2008
Código do texto: T1084534

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DESCANSO  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em terça 01 julho 2008 16:40

DESCANSO

O acento que rompe a escada
Do que digo.
A procura da poesia.
O descanso da consciência de Deus.
A mística que perpetua o cenário.
A letra, o acento agudo no infinito.
Mas o gueto se amplia
Na desconfiança do dia.
A procura da poesia,
Um veto em torno de uma luz desigual.
O acento que rouba a palavra,
Pois o mundo procura o seu gueto.
A mística sagrada que consagra
A cor no cenário.
A poesia será o descanso da consciência total.
Transparente ovário
Rompe a sombra,
Esclarece o sinistro.
Nisto a poesia
Rompe o acento e desliza seu gesto.
Um acorde que liberta
O gueto, relíquia de destruição.
A poesia então fornece o cântico do descanso.
A consciência total consagra o cenário
E supera a diferente, a poderosa linguagem dos povos.
Poesia se faz cenário de superação.
Tudo transparente.
Descanso definitivo de Deus.


FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é inverno de 2008.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 01/07/2008
Código do texto: T1059786

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COMUNHÃO  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em sexta 20 junho 2008 14:32

ALEGORIA DO TRIUNFO DE VÊNUS

Agnolo Bronzino

COMUNHÃO


Amor em emoção,
amor em redenção,
procurar sem fim
o corpo em crucificação.
Amor em ascensão
esculpido pelo
artista divino.
Amor não mais
repentino.
Pervago caminhos
em evolução,
mas o olhar é o mesmo;
pervago a esmo,
mas o caminho é só um.
Amor não é confusão,
amor é união
e alegria e consagração.
Amor em comunhão,
passa o caminhão
na estrada,
levando a condução
de vidas para os destinos
os mais variados.
O amor vai acima
de tudo.
Amor em profusão,
amor em comunhão
é simples o clamor,
em pleno verão:
amor em transição.


FERNANDO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2007.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 20/06/2008
Código do texto: T1042865

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