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TREVAS  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em sexta 22 agosto 2008 16:50

ambição, escuridão, felicidade, homem, ódio, sepultura, solidão, trevas

Hamlet e Horácio no cemitério

por Eugène Delacroix

TREVAS


Isto foi o que você ganhou,
As trevas...
Depois de tanta ambição,
Tanto ódio, tanta violência,
Isto apenas,
Trevas... imensas trevas,
Sem gosto, sem vida...
De que adiantou a vontade de ser maior,
As vaidades de um peito inútil,
Hoje o que resta?
Trevas... perdidas pelas mortes,
Pelos fins de uma carne fraca.
Diga adeus! E parte,
Sem qualquer arte,
Frio e acabado como um escravo.
Isto porque sua alma vã,
Porque jamais seu peito
Procurou saber o que é a vida.
Suas mãos preocupadas apenas em ajuntar,
Apenas em humilhar
Os seus subordinados.
E hoje o que restou de tudo?
Do dinheiro, do banco,
Do carro novo,
Da antipatia do seu viver?
Restam trevas.
Resta esta amargura
De se sentir velho,
De ter uma sepultura,
Como um mendigo,
Que muitas vezes chorou aos seus pés.
Como seu inimigo,
Que, na maioria das vezes,
Morreu por suas palavras.
Morra, ao menos, dignamente,
Não chore para emocionar o seu fim,
Pois, o seu começo foi um erro.
Diga adeus! Enfim veja a verdade,
Veja agora o quanto vale ser homem.
Onde está sua alienada felicidade?
Está nos restaurantes de luxo?
Nos prostíbulos?
No suor dos seus empregados,
Que você sempre explorou?
Não... a sua felicidade jamais existiu,
Existiu, sim! No gosto de ser injusto,
No prazer de ver sofrer.
Mas agora terá o seu preço,
Nas trevas...
O desespero terrível da solidão,
A cruz amarga da escuridão!


Fernando Medeiros
Campinas, é inverno de 2008.
FERNANDO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 22/08/2008
Código do texto: T1140511

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