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OS ANÉIS DE SATURNO  (Re-Citações) escrito em sábado 21 junho 2008 00:55

ennio morricone, la califfa, os anéis de saturno, sarah brightman, w.g.sebald

 

LA CALIFFA

Música de ENNIO MORRICONE, interpretada por SARAH BRIGHTMAN.

 

Tu não acredites, porque (Tu non credere perché)

esta crueldade dos proprietários (Questa crudeltá di padroni)

viu em mim (Ha visto in me)

apenas uma cadela que (Solo una cagna che)

amarra-se a sua corrente. (Me mett'anch/ Lo alla tua catena)

 

Se atravesso a cidade (Se attraverso la cittá)

esta hipócrita, tua cidade (Questa ipocrita, tua cittá)

meu corpo,(Il corpo mio)

que passa por entre todos vocês, (Che passa tra di voi)

é uma afronta à covardia. (`Eun invettiva contra la viltà)

 

Você achará em mim (Tu ritroverai con me)

a mais esplêndida propriedade, (La più esplendida proprietá)

um momento de sol sobre nós (Un attimo di sole sopra noi)

à sua procura. (Alla ricerca di te)

 

 

     “Saindo de Amsterdã, folheando o livro Tristes Trópicos, deparei com uma descrição dos Campos Elísios, uma rua de São Paulo em que, segundo lembranças de Lévi-Strauss de seus tempos no Brasil, decaíam lentamente mansões de madeira e palácios de tábuas outrora construídos pelos ricos numa espécie de fantasioso estilo suíço no meio de jardins fechados com eucaliptos e mangueiras.

     Talvez por isso naquela manhã o aeroporto onde perpassava um rosnado manso me parecera a ante-sala de um país desconhecido do qual nenhum viajante jamais retorna...”

     “Se hoje sobrevoamos a Amazônia ou Bornéu de avião vendo as gigantescas montanhas de fumaça aparentemente imóveis sobre o telhado da mata virgem que parece um suave chão de musgo, temos uma boa idéia dos possíveis efeitos dessas queimadas que por vezes duram meses a fio. O que o fogo poupou na pré-história na Europa, mais tarde foi abatido para construir casas e navios, bem como para fundir ferro, o que consumia imensas quantidades de carvão de madeira.

     Já no século XVII em toda a ilha [Inglaterra] havia apenas restos insignificantes das antigas florestas, agora geralmente entregues à decomposição. Agora acendem-se grandes fogueiras do outro lado do oceano. Não é por nada que a terra do Brasil, quase imensurável, deve seu nome à palavra francesa para carvão de madeira. (...) As máquinas que inventamos têm, como nossos corpos e nossas nostalgias, um coração que se consome lentamente em fogo. Toda a civilização humana nada foi desde o começo senão um fagulhar cada vez mais intenso que ninguém sabe quanto vai aumentar, e quando aos poucos morrerá. Por enquanto nossas cidades ainda se iluminam, os fogos ainda crescem. As florestas ardem no verão na Itália, França e Espanha, na Hungria, Polônia e Lituânia, no Canadá e na Califórnia, sem falar das imensas fogueiras dos trópicos, que não se apagam nunca.”

 

As citações acima foram colhidas do belo livro de W.G. Sebald, intitulado OS ANÉIS DE SATURNO. Tradução Lya Luft. Editora Record: RJ e SP, 2002.

 

Leituras de vídeo e texto

recomendados pelo

Prof. Dr. Sílvio Medeiros.

 

Campinas, é inverno de 2008.

 

 

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Todos os comentários desse artigo:
OS ANÉIS DE SATURNO

  • mailtoMadalena Barranco

    Seg 23 Jun 2008 00:37

    Hum, interessante... A combinação da música com o texto ficou ótima! Apenas lamento as florestas que se queimaram... Beijos.