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ROMà (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quarta 16 maio 2007 19:58

ROMÃ

Telefonema...
Ouve a mensagem sem eufemismo,
é confirmado o pessimismo.
Fonema instrumental: flores-da-noute,
resta a romaria penitencial da alma...
Um diadema de flores ao solo,
ausente a benção dos deuses,
só desalento e nenhum consolo.
Estratagema frágil,
ardil inútil,
arde demência sem clemência...
Extrai do coração o vôo da ave rebelde,
um vôo breve, o vôo ágil
em direção ao dissipado.
Desaparição, evaporação do vôo censurado,
tudo é desfeito, está desaparecido, fácil, em segundos, da mente;
tudo se dissipou em aromas,
no âmago, na semente da romã.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é outono de 2007.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2007
Código do texto: T489307

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Todos os comentários desse artigo:
ROMÃ

  • mailto Madalena Barranco

    Seg 28 Mai 2007 01:23

    Amigo Sílvio,

    Neste poema, que eu denominaria de minimalista, se comparado à sua produção, eu digo que o sentimento se eterniza e cresce numa próspera sementinha de romã. Parabéns poeta!

  • mailtoAna Valéria Sessa

    Sáb 19 Mai 2007 18:50

    Sílvio,

    Vozes em linhas frias de telefone são como poesia traduzida, sempre tão longe da versão original. A ternura em comoção não alcança o emissor e se pudesse escolher um veículo, provavelmente seriam os olhos, tão bem chamados, espelhos da alma. Vejo sementes de romã dentro da terra aquecida e elas são regadas com sabedoria, bondade e paciência, pois tudo tem seu tempo certo para germinar. Nada é imediato.

    um beijo doce e maduro,

    Valéria