ISTO NÃO É UM CACHIMBO
Magritte
“Não sei como aprendi a ler; só me lembro das minhas primeiras leituras”, escreveu Jean-Jacques Rousseau.
“A arte de ler e a arte de escrever, como a arte de falar e de entender, são artes esquecidas (...)” “Antônio José Bolívar Proaño... lia lentamente, soletrando as sílabas, murmurando-as à meia-voz como se as saboreasse e, depois que dominava a palavra inteira, ele a repetia de um só jato. Depois, fazia a mesma coisa com a frase completa, e era assim que se apropriava dos sentimentos e das idéias que as páginas continham. Quando uma passagem lhe agradava particularmente, ele a repetia tantas vezes quanto julgava necessário para descobrir como a linguagem humana podia também ser tão bela.” (Luis Sepúlveda. O velho que lia romances de amor)
“A leitura foi muitas vezes comparada à alimentação. Um texto, conforme nossa fome e nossa disposição momentânea, a gente engole, devora, mastiga, saboreia. Ler é pastar (Roland Barthes,O prazer do texto), é digerir (Nietzsche, Le Gai savoir). ‘Eu tinha... lido, isto é, relido e ruminado” (Amin Maalouf, Le premier siècle après Béatrice). E se o texto é poético, sendo a poesia mais etérea que a prosa, ler é também respirar (“Ele aspirou Pouchkine – o volume dos pulmões do leitor de Pouchkine aumenta)”, Nabokov, Le Don).” “De objeto que é (vamos... vou pegar um livro!), o texto transforma-se em ser vivo.”
“Na tela [do computador], diz Catach, ‘lemos o que escrevemos e escrevemos lendo’."
“A leitura não é apenas uma questão de bibliotecas. Ela depende também, indiretamente, do apoio concedido ao teatro, ao cinema, à música, às artes plásticas, às exposições científicas.”
(Trechos extraídos do livro A ARTE DE LER, de José Morais. Tradução Álvaro Lorencini. São Paulo: Editora Unesp, 1996.)
Recomendação de leitura do:
Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é outono de 2007.