The Irish Jewish
Museum in
Dublin
EPISÓDIO 11 :
SIRENS
Este episódio tem lugar no interior do
“Bar Ormond”, às 4 horas, da tarde. O
capítulo é essencialmente musical.
“Impertxnentx txnentxnentx”; “Bloomquem” ou
ainda “Bloomcujo” flanava pelo interior do bar. O
sr.Dedalus também ali flanava, acompanhado do filho,
o jovem bardo Stephen Dedalus.
Um diálogo se estabelece entre Miss Douce e
Miss Kennedy sobre um clássico pianista:
“_ Pois não era, Miss Kennedy ? O verdadeiro
clássico, o senhor sabe. E ademais cego, o
pobrezinho.” (...) (“_ Didn’t he, Miss Kennedy?
the real classical, you know. And blind too, poor fellow...”)
Fume sereias, a mais fresca baforada de todas ” (“Smoke
mermaids, coolest whiff of all”).
No interior do bar, todos, na verdade, flanavam, ao
som de notas musicais, árias, harpas, sereias,
canções oceânicas... Sereias fumando. O
relógio chilrou, e a sereia fumando e baforando, diz:
“ _ Do rochedo de Gibraltar... de todos os modos.
Elas enganchavam-se na profundura da sombra oceânica, ouro
perto da bica de cerveja, bronze perto do marasquino, pensavitas as
duas, Mina Kennedy, 4, terraço Lismore, Drumcondra, com
udolores, uma rainha, Dolores, silenciosa.” (...) Ante o
rochedo de ananás de Graham Lemon”. (p.203-205)
(“_ From the rock of Gibraltar ... all the way.
They pined in depth of ocean shadow, gold by the berrpull, bronze
by maraschino, thoughtful all two. Mina Kennedy, 4 Lismore terrace.
Drumcondra with Idolores, a queen, Dolores, silent. (...) By Graham
Lemon’s pineapple rock...”) (p. 222-223)
Leopold Bloom, enquanto aprecia uma
refeição, ouve uma ária - o concerto do sr.
Dedalus - e pergunta:
“ _ Que ária é essa? perguntou Leopold
Bloom.
_ Tudo está perdido agora. (...) Tudo é perdido
agora. Plangente ele assoviava. Queda, entrega, perda.
(...)
“ _ Uma bela melodia _ disse Bloom perdido
Leopold.” ( p.206)
(“_ Which air is that? asked Leopold Bloom.
_ All is lot now.” (...) All lost now. Mournful he
whistled. Fall, surrender, lost. (...)
_ A beautiful air, said Bloom lost Leopold.”)
(p.224)
Finda a ária, todos os presentes aplaudem:
“Bravo! Plaqueplaque. Óptimo, Simon. Plaquepalcplac.
Bis! Placpliqueplac. Soa como um sino ...” (“Bravo!
Clapclap. Good man, Simon. Clappyclapclap. Sound as a
bell.”)
Um rapaz cego é um dos freqüentadores do
Bar Ormond:
“Tape. Tape. Um rapazola, cego, com uma vareta tapetante,
vinha tapetapetapitando perto da vitrina do Daly onde uma sereia,
cabeleira toda cascateante (mas ele não podia ver), soprava
baforadas de uma sereia (cego não podia), uma sereia da mais
fresca baforada dentro todos.
Instrumentos.”(p.218)
( “Tap.Tap. A stripling, blind, with a tapping cane come
taptaptapping by Daly’s window where a mermaid hair all
streaming ( but he couldn’t see) blew whiffs of a mermaid (
blind coudn’t), mermaid, coolest whiff of all.
Instruments.”) (p.237)
Neste trecho do romance, pontua um tema recorrente: o
do “Impermeato”: “Quem seria aquele sujeito
à beira da cova a parda impermeá. Oh, a puta do
beco!” ( “Wonder who was that chap at the grave in the
brown macin. O, the whore of the lane!”)
EPISÓDIO 12: CYCLOPS
Um diálogo entre dois policiais da
Dublin Metropolitan Police inaugura o intróito deste
episódio:
“_ EU estava apenas matando o tempo do dia com os velho Troy
da P. M.D. lá na esquina de Arbour Hill quando um sacana de
um limpa-chaminé veio por ali e quase meteu sua brocha pelo
meu olho adentro ”.
(“I was just passing the time of day with old troy of the
D.M.P. at the corner of Arbour hill there and he dammed but a
bloody sweep came along and he near drove his gear into my
eye.”)
Um vira-latas, Garryowen, e o bandoleiro Geragghty,
ambos investem contra os cidadãos que transitam pelo
local: “_ Eu desafio ele - fala ele _ e redesafio ele. Vem
pra cá, Geraghty, seu sacana de bandoleiro conhecido em
montes e vales!” ; “ (...) e
aquele safado de vira-lata sarnento, o Garryowen (... ) comeu
os fundilhos das bragas de um homem da polícia de
Santry...” (“I dare him, says he, and I doubledare him.
Come out here, Geraghty, you notorious bloody hill and dale
robber!”) (“I’m told for a fact he ate a good
part of the breeches off a constabulary man in
Santry”).
Em seguida, é feita a descrição
de um velho sacaneador gigantesco, concomitante à
descrição de um catálogo com nomes de
heróis e de heroínas irlandeses, ingleses,
além d’ outras nacionalidades.
Então o velho Garryowen começa a rosnar
para Leopold Bloom, que continuava a rondar a porta do bar:
“_ Vamos, entre, ele não vai comê-lo - fala o
cidadão.” (“Come in, come on, says the citizen.
He won’t eat you”). O feroz cão farejava o judeu
Leopold Bloom: “...esses judeus tem mesmo um tipo de
cheiro estranho...” (“those jewies does have a
sort of a queer odour...”).
Em seguida, no bar de Barney Kiernan eclode um
conjunto de referências desarticuladas e
menções são tecidas - pelos
freqüentadores do bar - ao Sinn Fein, aos patriotismos, aos
nacionalismos, às competições esportivas e
desportos irlandeses, aos jogos de tênis e arremessos de
pedra, aos desportos gaélicos associados a elementos da
cultura esportista da antiga Grécia. Tem lugar,
então, uma sucessão de imagens, na qual surgem lutas,
apostas, gladiadores irlandeses, lutadores e nocautes, dentre
outras coisas do gênero.
No bar de Barney Kiernan, um violento nacionalista
expulsa Leopold Bloom do local: e um feroz cão sai em seu
encalço.
O tema recorrente sobre religiões
reaparecerá no final deste episódio. A seguir, uma
bela imagem poético-religiosa é apresentada,
colocando a salvo Leopold Bloom das sucessivas e
perigosas perseguições enfrentadas pelo referido
personagem no bar de Barney:
“Eis que então desceu sobre eles todos um grande
clarão e eles viram o carro em que Ele estava a subir aos
céus. E eles o viram no carro revestido na glória
desse clarão com vestidura como se do sol, belo como a lua e
tão terrível que de medo não ousaram olhar
para Ele. E veio uma voz dos céus, que clamou: Elias! Elias!
E Ele respondeu num grande grito: Abba! Adonai! E eles O viram bem
a Ele bem Bloom Elias, em meio a nuvens de anjos subir para a
glória do clarão, num ângulo de quarenta e
cinco graus sobre o Donohoe da Ruela Verde, como um jacto de uma
pazada.” (p.258)
( “ When, lo, there came about them all a great brightness
and they beheld the chariot wherein He stood ascend to heaven. And
they beheld Him in the chariot, clothed upon in the glory of the
brightness, having raiment as of sun, fair as the moon and terrible
that for awe they durst not look upon Him. And there came a voice
aout of heaven, calling: Elijah! Elijah! And He answered with a
main cry: Abba! Adonai! And they beheld Him even Him, ben
Bloom Elijah, amid clouds of angels ascend to thr glory of thr
brightness at an angle of fortyfive degrees over Donohoe’s in
Little Green street like a shot off a
shovel.”) (pp.282-283)
EPISÓDIO 13 : NAUSICAA
Em seguida, Leopold Bloom busca um descanso
na praia, na tarde de verão de 16 de junho de 1904.
Lá chegando, Bloom sente-se atraído por uma bela
adolescente.
O intróito deste episódio é o
seguinte: “A tarde de Verão começara a envolver
o mundo em seu misterioso amplexo.” (“The summer
evening had begun to fold the world in its mysterious
embrace”).
Três jovens e duas crianças encontram-se
à beira-mar. São elas: Cissy Caffrey (a estouvada),
Edy Boardman (a estrábica) e Gerty MacDowell (a
virginal).
Mas, quem é, afinal, Gerty? Trata-se de uma
moça frágil, aparentando um profundo sentimento de
cansaço. Apesar disso, Gerty é bela, não fosse
o infortúnio de ter nascido na pobreza “... poderia
facilmente ombrear lado a lado com qualquer grande dama da terra e
ver-se requintadamente ataviada com jóias na fronte e
requestadores patrícios a seus pés, rivalizando-se
entre si por pagarem-lhe seus tributos.” (“...
might easily have held her own beside any lady in the land and
have seen herself exquisitely gowned with jewels on her brow and
patrician suitors at her feet vying with one another to pay
their devoirs to her.”).
Com os olhos baixos e tristes, Gerty, perdida em
pensamentos, imagina a felicidade num sonhado-imaginado futuro
lar: uma sala de visitas decorada com quadros, gravuras,
fotografias de amor e do cão Garryowen, cujo
proprietário era o avô. Por outro lado, a imagem do
seu homem ideal não é de nenhum príncipe, mas,
de um homem viril. Contudo, as “cissicadas” da
estouvada Cissy traz Gerty de volta à realidade. Gerty
pensa, então, em sua triste existência: filha de um
pai bêbado, que arruinara todos os seus sonhos de
infância. Boa filha, Gerty é considerada a segunda
mãe no lar; ela é o anjo de guarda da casa.
Diariamente, ela fecha o gás no registro - toda noite.
Além disso, dia após dia, ela nunca se esquece de
controlar as folhas do tradicional calendário do senhor
Tunney, que se encontra dependurado numa das paredes de sua casa.
Contemplando as imagens do calendário, Gerty pergunta a si
mesma:
“ ... o vendeiro, com um quadro dos dias alciónicos em
que um jovem cavalheiro em trajes que costumavam usar
então com um chapéu tricórnio oferecia um
ramilhete de flores à sua bem-amada com o cavalheirismo de
antanho através de uma janela gradeada. Podia-se ver que
havia uma história por detrás daquilo (....) o que
significava aquilo de dias
alciónicos.” (p.265)
(“... the grocer’s christmas almanac, the picture
of halcyon days where a young gentleman in the costume they used to
ewar then with a threecornered hat was offering a bunch of flowers
to his ladylove with oldtime chivalry through her lattice window.
You could see there was story behind it (...) the halcyon days what
they meant.”) (p.291)
Dias alciónicos: que é que é?
Contudo, repentinamente, Gerty avista na praia o seu tipo ideal, ou
melhor, o seu marido ideal. Gerty nota que se trata de um sujeito
triste, de olhar melancólico. Ele deambulava pela praia e
vinha em sua direção. Dentre outras coisas, Gerty
imagina: “ ... fazê-lo esquecer a memória
do passado.” (“... make him forget the memory of
the past.”).
Mas quem é, afinal, o sujeito enlutado que se
aproxima da jovem Gerty?
É Leopold Bloom! Todavia, um breve encontro,
uma troca de olhares, e logo a separação. Gerty
corre, então, pela praia junto às companheiras.
Leopold Bloom acompanha os movimentos da jovem e tece uma mordaz
observação: “... sapatos apertados? Não.
Ela é coxa! Oh!” (“... tight boots? No.
She’s lame! O!”).
O encerramento do episódio principia mediante
um resumo do dia experienciado por Bloom:
“Que dia longo que tive. Martha, o banho, o enterro, casa das
chaves, museu com aquelas deusas, canção de Dedalus.
Depois aquele berrador no Barney Kiernan. Me pegou desprevinido.
Matraqueadores beberrões. O que eu disse do Deus dele deixou
ele acuado. Bobagem dar o troco. (...) Vejamos a coisa do ponto de
vista dele. (...) Três vivas por Israel. (...) Anáguas
de Molly. Tem o que pôr nelas. Que é isso? Pode ser
dinheiro? ...” (pp.282-283)
(“ Long day I’ve had. Martha, the bath, funeral, house
of Keyes, museum with those goddesses, Dedalus’s song. Then
that bawler in Barney Kiernan’s. Got my own back there.
Drunken ranters what I said about his God made him wince. Mistake
to hit back. (...) Look at it other way round. (...) Three cheers
for Israel. (...) Petticoats for Molly. She has something to put
him. What’s that? Might be
money?...”) (pp.311-312).
BIBLIOGRAFIA
JOYCE, James. “Ulisses”. 8 ed. Tradução
de Antônio Houaiss. Rio de Janeiro: Editora
Civilização Brasileira, 1993.
______. “Ulysses”. New York : Vintage Books,
1986.
PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é verão de 2006
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em
07/01/2006
Código do texto: T95634
Código do texto: T95634
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