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COLONA  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quarta 28 março 2007 06:20

Antígona e a cegueira de Édipo

 

O impasse,
passos em tráfego insone
exímios em dramas.
A dama
Antígona antagônica
agoniza em sussurros agônicos de amor e ódio,
em profundos silêncios.
O combate comigo mesmo,
quem sabe o inesperado na espera?!
Ó combate!
O ata não desata,
o passado em repasse no presente cristal,
e bate e se debate com as circunstâncias
e ruma a instâncias futuras...
Ó impulso, ó ânsias, ó fôlego!
o combate dos dias, das noites, das estações,
de ano por ano, ruminando e prenunciando
algo aziago.
Sentimento esquisito,
toma conta do finito-infinito;
sentimento intolerável
reivindica o inesperado, que esquisito requisito;
sentimento indefinido,
é dor sufocada,
e calada,
e alada abdica da vida finita.
Antígona antípoda,
ó filha do incesto,
ó filha das provas,
ó piedade humana!
Eis a coroada de dores.

O inesperado por um triz,
feito palavras, assim, nos lábios de uma atriz.
A ferida não cicatriza, não aumenta, apenas diminui,
e numa convulsão re-volta à sincronia de fato, de dados,
e os fatos, e os fados, e tudo explode em sangue.
A espera desespera, e exaspera
em mil cores,
em mil coros;
sinfonia, sintonia atonal, sinto, sim! o tom de
tantos atônitos lilases pesares
e o inesperado irado, e variado, e desvairado;
e um enovelado novembro,
e um desesperado abril,
e um ansiado março,
e odiando, e adiando, e engulo cotidianos.
E abismado cismo no abismo
do indefinido finito esquisito.
Rogo, aborto, arroto, anoto sentimentos -
_ Que tormentos!
A indefinição é
definição da traição;
e a ação,
e o fim...
Édipo em Colona,
e a dor do exílio,
e o nati-morto,
e o fétido,
e o roído de desgosto,
e em Tebas o insepulto amado filho.
E digo não!
E maldigo a dor...
tic tac tac tic...
O marco, a data, a fala e tudo desata,
e desanda,
e tudo desaba,
e jorra abaixo em catarata
e o algo pré-pós-acontecido;
tac tic tic tac...
_ Diz, sentimento!
E nada, apenas o silêncio.
E tudo se cala.
E o esperado é encerrado.
E o tudo foi encarcerado e
emparedado...
E na manhã seguinte o orvalho matinal tudo cobre.




PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é outono de 2007.


SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 28/03/2007
Código do texto: T428408

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