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VIDA MIÚDA, PALAVRA GRAÚDA  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em terça 27 março 2007 04:21

Rue d'l'Hotel de Ville, Paris
de Eugène Atget

  

  



Que obscuro é este?
Nele mergulho e
dele expulso palavras.
Nele imprimo os meus nomes,
as minhas datas, os meus fatos numa história sem fim...
Os fios soltos tecem e são tecidos em zonas obscuras
da minha mente;
tecem mentiras, confessam, sentem, taliscam,
saltam, rabiscam, desmentem,
beliscam os nervos, pondo a mover os fios
às mãos...
Elas arriscam, furiosas ou hesitantes,
a laçar palavras,
mas,
em instantes,
as palavras furtivas
escapam como sons...
As mãos tecem conjecturas:
costuras mal-traçadas linhas
detonadas pelo
vento e
pelo instante...
São gestos de confinado,
vida miúda, palavra graúda:
o limite,
o limiar,
o desconhecido,
vida finita confinada no infinito;
o inquestionável,
a fronteira,
o evidente... 


  

PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, são as águas de março... de 2007.


SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 05/03/2007
Código do texto: T401499

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