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SINOS DE NOEL  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quinta 06 dezembro 2007 14:11

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SINOS DE NOEL


Passantes...
Abismos.
Ensimesmado cismo na lanchonete
o abismo
entre o açúcar e o sal.
Multidões circulam por
ruas efêmeras,
floridas com sinos de Noel.
O abismo entre o Bem e o Mal,
Catedral,
santo terno-eterno ritual,
o abismo entre o sacro e o profano,
é próximo o Natal.
Aflito desço a Avenida,
cruzo a rua de mão-única, contemplo abismos:
Mel e Fel: a Vida...
E em meio à multidão natalina,
me aproximo do consultório:
_ Doutor!
O abismo entre a saúde e a dor...
Retorno às ruas
em busca da alegria perdida:
canções de época, natalinas, idas, partidas
inundam becos, trechos, em
acorde, em estranha sinfonia:
Ó abismos!
Agonia e Êxtase.
Logo encontro guarida:
Livraria.
O abismo entre os vivos e os mortos.
Dialogo com títulos, prefácios...
Epitáfios a Franz Kafka, Walter Benjamin e Primo Levi:
Sefarad – primavera de 1492
e a trágica odisséia dos judeus.
Ó exílios,
os fios, os vestígios, a história,
os séculos, as nações;
entre a hospitalidade e a intolerância,
reina o trágico fundo do abismo.
As fronteiras em
tantos nós
e Jesus é um só.


Prof. Dr. Sílvio Medeiros
Campinas, é verão de 2007.



SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 06/12/2007
Código do texto: T767044

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Todos os comentários desse artigo:
SINOS DE NOEL

  • mailtoAna valéria Sessa

    Seg 17 Dez 2007 00:35

    Sílvio,

    tua poesia anda belíssima, magistral - fonética e sentido em perfeita harmonia plurissignificando os paradoxos dessa bendita vida ! Jesus é um, tudo é um e nada é igual. Nesse momento, em meu pensamento acendo uma vela pra você.

    um beijo e uma chama,

    Ana


  • mailto Madalena Barranco

    Dom 09 Dez 2007 23:15

    Querido Sílvio, eu li no LL e achei maravilhoso! A esperança vive. Beijos, saudades.