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SERio... JAPARATUBA  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em sexta 06 novembro 2009 16:30

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SERio... JAPARATUBA





                                       Aos meus queridos avós paternos
 FRANCISCO MEDEIROS, do Norte, do Rio Grande do Norte!
                                                                                                      e
CARMELLA BICEGO MEDEIROS, do Sul, da Calábria, da Itália!
                                                                                (In memorian)




Ó Xerife do Sergipe!
A rosa rubro-negra bordada em cetins descoloridos, em meio aos Veleiros, flutua bailarina nas correntezas do Rio de tantos tristes janeiros.
Ó Arthur, ó Urso Grande,
ó vigilante das constelações boreais!
Canecas, Sandálias e Peneiras,
e o construtor de arquiteturas da sujidade mundana
ordena o inventário do mundo para levar a Deus.
E ruge o Urso do Norte!
Vidro, corda, prego, plástico, lata, Serio... Japaratuba, a fé no bendito São Benedito, o Rio, Polaris, do Norte, a Terra, o Kosmos e o combate entre o Divino e o Profano:
rumor surdo, diálogo dos destinos desfiando num deslumbrante desfile de linhas as cores dos uniformes e dos lençóis.
Girassóis, sóis, Light, Marinha de Guerra do Brasil do Norte! Nortistartista das Vinte Garrafas Vinte Conteúdos, obra inscrita no diário divino-rosa... rosário... rio de cento e sessenta e cinco contas, conchas dos mares da Roda da Fortuna.
Xerife, lugar-tenente dos deuses!
A Colônia é santuário do Rosário,
entre ânsias e distâncias,
o Bispo impaciente
ora entre os pacientes no Planeta Paraízo dos Homens:
_ São Cristovão, rogai por nós!
Noutros tempos, tantos anos, outras datas,
e o colecionador enxadrista caminha vagaroso, e lapida, cuidadosamente, em pedra, em mármore e em lata, o calendário Juliano. E assim, eis a data:
_ A Festa de Santos Reis, de Tudo Aquilo que se Manifesta!
Pregos, fórmicas, arames, fios, tecidos... na luta mortal entre o significado e o Infante errante é tecido rente a tantos nós o Muro no Fundo da Minha Casa.
Asa, asas, mirem o porte do profano Carrossel francês
alçado ao Divino por um dossel tecido em rosas, brilhante rosário das quinze Ave-Marias e dos quinze Padre-Nossos...
“prega per noi,
prega per noi,
prega,
Ave-Maria! Nell’ora della morte, ave!”
Ó Xerife do Sergipe,
ao representante da Macumba
a mais bela tumba!
Agora és Rei, em meio às estrelas,
És chuva de Confetes.
Ó Abatjour do Templo do Kaos!
És estandarte adornado com o Manto da Apresentação.
Eis, enfim, a Sagração do Bispo do Norte.




* À presente composição poética foram conferidos Menção Honrosa e Terceiro Lugar no V PRÊMIO ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO, na categoria POESIAS E TEXTOS – evento promovido pelo Conselho Regional de Psicologia SP    (www.crpsp.org.br).



PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Campinas, é primavera de 2009.
SÍLVIO MEDEIROS
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009
Código do texto: T1908408

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