BRASÃO
No alto da parede
está arquitetada
aquela figura.
Incrustações de ouro
se estabelecem em seu redor.
Anotações de um artista
em sua inspiração de tintas em dó maior.
Vivificando os espaços,
a madeira talhada
harmonicamente beija
as joias que parecem encantadas.
Resplandecida está a imagem impressionante,
e se certificam
de sua maravilha
aquelas mãos sensíveis,
o tato experiente e sábio,
empolando e materializando
a visão de glória e eminência
que se exemplifica na escultura.
Corporificação das maravilhas
subterrâneas da mente.
O ouro se derrama
artisticamente em torno da figura,
e assim se sente o princípio
deste símbolo encantado.
A receptividade é mútua e geral.
O espectador penetra
na força compulsiva daquela figura
gigante e feroz.
Os olhos estendem suas luzes
para aquela luz representativa,
eriçando o pensamento e harmonizando
os ritmos de cores e cintilações.
E assim se sente a pulsação,
as explorações da sensibilidade
cativando o seu amante indomável
e cultivando a sua mina impenetrável.
As qualidades sinceras das pratas
coroam esta imagem brava e alucinante.
Exacerba este astro que berra ouro,
arte, entonações de pinturas,
reservas que se possam representar num quadro.
Símbolos, brasões,
sinceras adorações,
representações apaixonadas
de quem cria visões
e sabe do valor profundo
que transborda da mente.
Símbolo, brasão,
integração do homem pensante
com a concretização.
Cítara, célula da corporificação
de atitudes
e de tudo que se estende
por esta coleção de pinturas.
As viagens destas cores que se encontram
em caminhos harmonizados,
visitando e familiarizando-se
com a imagem e a fisionomia
daquela figura feroz.
E no mais profundo da interação
entre cintilações,
o espectador
nota que aquela figura
está a gritar em plena angústia.
Parece estertor, porém não morte,
não algo que está morrendo,
mas algo que resiste invariavelmente,
protestando...
E o seu coroamento parece ser
aquela explosão aurífica
incrustada em joias e madeiras enriquecidas.
Aquela natureza em efervescência
de beleza inconformada,
aproveitando cada espaço
para se expandir em sua satisfação.
E o que aquela figura está a protestar?
Qual será o seu mistério,
o seu motivo de expressão
tão forte e significativo?
Oh, incontestável arte,
eternizando este verdadeiro Brasão!
FERNANDO MEDEIROS
Campinas, 25 de maio de 2009.