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BRASÃO  (Poesias de Fernando Medeiros) escrito em terça 06 outubro 2009 18:18

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BRASÃO

 

No alto da parede

está arquitetada

aquela figura.

Incrustações de ouro

se estabelecem em seu redor.

Anotações de um artista

em sua inspiração de tintas em dó maior.

Vivificando os espaços,

a madeira talhada

harmonicamente beija

as joias que parecem encantadas.

Resplandecida está a imagem impressionante,

e se certificam

de sua maravilha

aquelas mãos sensíveis,

o tato experiente e sábio,

empolando e materializando

a visão de glória e eminência

que se exemplifica na escultura.

Corporificação das  maravilhas

subterrâneas da mente.

O ouro se derrama

artisticamente em torno da figura,

e assim se sente o princípio

deste símbolo encantado.

A receptividade é mútua e geral.

O espectador penetra

na força compulsiva daquela figura

gigante e feroz.

Os olhos estendem suas luzes

para aquela luz representativa,

eriçando o pensamento e harmonizando

os ritmos de cores e cintilações.

E assim se sente a pulsação,

as explorações da sensibilidade

cativando o seu amante indomável

e cultivando a sua mina impenetrável.

As qualidades sinceras das pratas

coroam esta imagem brava e alucinante.

Exacerba este astro que berra ouro,

arte, entonações de pinturas,

reservas que se possam representar num quadro.

Símbolos, brasões,

sinceras adorações,

representações apaixonadas

de quem cria visões

e sabe do valor profundo

que transborda da mente.

Símbolo, brasão,

integração do homem pensante

com a concretização.

Cítara, célula da corporificação

de atitudes

e de tudo que se estende

por esta coleção de pinturas.

As viagens destas cores que se encontram

em caminhos harmonizados,

visitando e familiarizando-se

com a imagem e a fisionomia

daquela figura feroz.

E no mais profundo da interação

entre cintilações,

o espectador

nota que aquela figura

está a gritar em plena angústia.

Parece estertor, porém não morte,

não algo que está morrendo,

mas algo que resiste invariavelmente,

protestando...

E o seu coroamento parece ser

aquela explosão aurífica

incrustada em joias e madeiras enriquecidas.

Aquela natureza em efervescência

de beleza inconformada,

aproveitando cada espaço

para se expandir em sua satisfação.

E o que aquela figura está a protestar?

Qual será o seu mistério,

o seu motivo de expressão

tão forte e significativo?

Oh, incontestável arte,

eternizando este verdadeiro Brasão!

 

 

FERNANDO MEDEIROS

Campinas, 25 de maio de 2009.

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