Home Data de criação : 07/03/17 Última atualização : 12/01/05 19:58 / 405 Artigos publicados

126  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em quinta 05 janeiro 2012 16:58

Blog de imprimis :IMPRIMIS, 126


Basílica de Nossa Senhora da Penha de França - São Paulo


126

 

À meiga e talentosa educadora de infantes

ROSECLER PANDOLFO

 

 

Projetoprovecto,

objeto não identificado,

um feto mergulhado no cérebro do acelerado em busca da verdade genuína.

Frustrações da existência

e a visão identifica os celerados.

Entretantos,

no ritmo veloz do crânio que tomba

sobre miríades de estradas das letras que cortam as páginas dos livros,

ei-lo, aflito:

os olhos em busca do método...

Salvação, missão, um desvio do olhar!

A trilha embriagante da verdade do mundo lhe é revelada.

Os pés, as pernas, os braços e as mãos raladas baloiçam o véu de Maya.

Raia,  verdade dolorida!

Raia, mentira lancinante!

Em meio aos antigos de Piratininga,

avança a saga dos Piratas do Tietê.

Franciscanos e Beneditinos

louvam a Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

ao longo do caminho curto, do caminho do tatu, tudo a pé,

logo ali, no aldeamento dos Guarús,

ergue-se na imensa pedra dormente

A Penha de França!

Pena dos infantes,

tão distantes de felicidades.

Infantes, adiante!

Marchem sobre Sampa

e rompam com o rompante dos adultos tristes.

Ocupem o Topo do Aricanduva!

Lá tem sabiá cantor, ele canta nas palmeiras

da tribo dos Guaianases.

Brincar, cantar, nadar, mergulhar no ribeirão dos índios!

Infantes, adiante!

Ocupem o Topo do Aricanduva!

Destruam o mundo esquisito e triste dos adultos.

E os guris e as gurias,

em estripulia,

rolam os passados penhascos verdejantes

do presente viajante-instante-fugaz-cintilante

de um passado inacabado.

E dos penhascos da Penha meus pensamentos pendem;

eles acenam, dependurados, para a nuvem baixa,

para Cumbica,

além Marginal Tietê, Rodovia Ayrton Senna...

A senha!

126!

 Ocupem a Penha, crianças!

O insight, a ideia, as ideias, os ideais educacionais em rebelião,

cenários de dramatizações,

chão de alfabetização para a escrita de tantas histórias-guarús,

histórias das erosões, das horas fatais da natureza primordial,

realizações em meio ao ruído,

do apito maldito e cordial e matinal do trem da CMTU.

Caramuru, Ipiranga, Tucuruví  piuí, piuí, piuí...

São crianças chegando ao mundo,

maravilhadas com as coisas que estão descobrindo,

objetos ainda não identificados,

os  sem projetos trepam como  índios, aos montes, as montanhas da Serra da Cantareira;

dos concretos estendidos e dependurados,

em meios aos lençóis sujos do contemporâneo,

eles acenam,

rogam,

rugem!

O rebanho de infantes

é um mirante de sementeiras da inocência,

eis a guerra dos meninos!

Coroados de plumas,

as armas são as verdes palmeiras dos cainguás colhidas nas colinas caraguatatuba- tupinambá.

À sombra dos renascidos pinheirais,

banhados pela umidade no ar,

eles passam a limpo,

acariciando com as folhas das palmeiras,

 as águas do Tietê,

e entoam um hino de luz:

“_ Guaianás, caingangues, itaquera, guarú, ururaí, guarulhos... ‘tudo vai, tudo volta, roda eternamente a roda do ser, tudo morre e volta a florir... a existência recomeça em todos os instantes’”.

 Mitologia dos Guaianazes ...

Resgate dos signos em rotação,

aprendizado de um passado não definitivamente perdido,

realfabetizar em idioma tupi-guarani!

ete... verdadeira;

ty... água;

...

tyete  precipitação do tempo passado,

precipitação de memórias enganadas e injustiçadas às vésperas da morte.

 

 

 

Prof. Dr. Sílvio Medeiros

Campinas, é verão de 2012.

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PAOLO E FRANCESCA  (Re-Citações) escrito em sexta 21 outubro 2011 06:44

Blog de imprimis :IMPRIMIS, PAOLO E FRANCESCA

   

 

Repito, para terminar:o verdadeiro pré-sal é a cultura e/ou a leitura. Os animais, os peixes, as árvores e até as bactérias leem constantemente o mundo antes de tomarem qualquer decisão. Por que o ser humano insiste em andar às cegas no universo da comunicação?

(Affonso Romano de Sant'anna)

 

 

Sílvio Medeiros

São Paulo, é primavera de 2011

 

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NÓS, POETAS  (Re-Citações) escrito em sábado 20 agosto 2011 14:24

Blog de imprimis :IMPRIMIS, NÓS, POETAS

 

 

"Nós, poetas, devemos entrar com a cabeça descoberta até o próprio centro da tempestade. Com a nossa mão temos de domar o raio celeste e, envoltos no nosso canto, transmitir ao povo esse dom divino; pois só nós temos o coração puro como o de uma criança, e só nossas mãos são inocentes. O raio celestial que não nos aniquila e, ainda que nos agite na dor divina, nosso coração, eternamente, permanece firme."
(Friedrich Hölderlin)

 

 

 

Prof. Dr. Sílvio Medeiros
São Paulo, é inverno de 2011.

 

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PALACETE DO BARÃO DO RIO PARDO  (Poética de Sílvio Medeiros) escrito em sexta 19 agosto 2011 19:08

Blog de imprimis :IMPRIMIS, PALACETE DO BARÃO DO RIO PARDO

 

 

 

 

 

PALACETE DO BARÃO DO RIO PARDO

 

 

Dondetácêulisses?
_ Interior-capitá circulandoDisseu
e disse o monólogo interior que Bloom refloresce
na Sampa well annotated roteiro
_ Hell! de nadanadinha vale perdido no Limão
e o sabonete lima-limão-talismã no bolso
de Dublin até a avenida Ordem e Progresso das ruas alamedas avenida
Barão do Rio Branco
de volta ao centro velho
é Barra proFunda
e ele afunda nos ferros velhos
em ruínas da coroa da Princesa Isabel
lá da Pinacoteca
talismã lima-limão da irmã ouviu conselhos
até a Estação Júlio Prestes
à Luz prestes do dia a raiar em plena cracolândia
que pena da infância perdida no arraiá da República
Dondetácêodisseu?
Sob o cinza céu de Sampa
Infância e Paraíso perdidos
_ Santa Cecília, rogai por nós!
Ele passante no Paissandu
só desumanidade a Guerra do Paraguai
ai que inumanidade histórica
sujidade é herança
agora o belo é feiúra da cidade
e ele passante no Paissandu
o nóia manda um
_ Vai tomá no cú!
E São Bento no centro velho do Largo de Sampa triproclama:
_ Tudo está perdido agora! Êta mundo fora dos eixos! Tudo é paranóia!
Eia, um norte, man!
No inferno de dantes e antes da queda
agora ora uma bala perdida ora um murro no queixo
mundo fora dos eixos
explora implora agoniza pois a vida lança
um manto imundo sobre os desvalidos
fudidos fedidos fedorentos
nadandonadanadinho nas fezes
no mijo
os sorrisos esquizos
em cada esquina violenta
_ Ah, Northmann,Cleveland, Helvétia,
terras devastadas
nada será como antes
é madrugada e a lua alumia o gato mia e o rato corre
e num porre de solidão
da janela Bloom é máquina aberta
e surge no vazio da noite
no silêncio ator
mentado da Sampa sempre santa do paoco
hospitaleira pauapique
no Estado de Sã são e quem dera Deus o salve...
Ai, a erupção da dor
da janela, bloom!
Outro limão já ao bolso surrupiado nalameda do Barão de Limeira
talismã
_ Thomas Mann, um north, please, man!
_ Toma outro rumo, outra montanha, outra magia, outro north!
À beira da Cleveland é terra perdida perdidinha tada tadinha
e o man crivado
é o professor de perguntas cravado
_ Sim, eu CEI, sei sim!
Sabe nada
ele é um Peido de Deus
um judeuzinho zen netinho de russos errantes de olhos passantes
_ Deus me livre!
E o grito do Ipiranga ele ouviu, viu
depois o disse-me-disse e a boca fechada é astúcia
as flechadas de vozes penetram n'ouvidOrfeu
ô, cutucão mundo-cão!
Um trupicão ele parece um tatu a pé dependurado nos penhascos dos cascos entre os cacos da Penha
Belém Belenzinho Brás desastrado extraditado
e os olhos de lince fitam a dita cuja
coruja
no topo do casarão
do Barão que nega doação boa ação
somente a fé nas ações do café
a luz da madrugada se adensa
se expande que espanto
o triunfo do tempo é ruína
é momento histórico interditado pelo porto seguro
e os olhos de lince à espreita vigia
a sombra duma das donzelas do Barão
do Rio Pardo
mas a dama foge
ela não deseja que ele avance na sombria morada
Champs-Élysées
minha nova namorada é apenas sombra na moradia em ruínas
ela é toda suspiros no Reino dos Mortos
e os sussurros do além da bela condessa de Serra Negra
cheia de penas ainda aluga o casarão do Conde para
as crianças do Silvio
Almeida na Alameda
bem próxima do ninho terminal da existência da Princesa Isabel
todas criancinhas ao léu
e o batalhão dos caçadores dos céus
dos futuros aluninhos
vai à caça d'outro Odisseus
dum outro astuto
deseja arrancar do ninho da história outros romanos
história gira em círculos no eterno retorno do fundador das novas Romas
e a româ brota num
bloom!


_ ai, que susto, matuto que atazana
inté ratazana!


 

PROF.DR. SÍLVIO MEDEIROS
São Paulo, é inverno de 2011.

 

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VINHO E MIL ROSAS  (Re-Citações) escrito em domingo 14 agosto 2011 12:20

Blog de imprimis :IMPRIMIS, VINHO E MIL ROSAS

 

 

"Do escuro do vinho e de mil rosas, a hora sussurrante se escoa no sonho da noite".

(Rainer Maria Rilke)

 

 

Sílvio Medeiros

São Paulo, é inverno de 2011

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